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STF retoma julgamento sobre royalties do petróleo e voto de Cármen Lúcia favorece estados produtores

Ministra do Supremo vota contra redistribuição ampla dos royalties e reforça direito de compensação aos estados impactados pela exploração petrolífera

Atualizado em 08/05/2026 às 08:05, por Ricardo Marcogé.

Julgamento no STF sobre distribuição dos royalties do petróleo pode impactar diretamente a arrecadação de municípios produtores do Rio de Janeiro. A ministra Cármen Lúcia / Crédito: Sophia Santos/STF

O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a divisão dos royalties do petróleo voltou a mobilizar estados produtores e não produtores em todo o país. A retomada da análise das ações que discutem a constitucionalidade da chamada Lei dos Royalties reacendeu a preocupação de governos e municípios fluminenses, principalmente nas cidades da Bacia de Campos, que dependem diretamente desses recursos para manter serviços públicos e investimentos.

Relatora do caso, a ministra Cármen Lúcia votou pela inconstitucionalidade da Lei Federal nº 12.734/2012, legislação que alterou os critérios de distribuição dos royalties do petróleo e ampliou o repasse para estados e municípios não produtores.

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No entendimento da ministra, a Constituição Federal garante compensação financeira aos entes federativos diretamente afetados pela atividade petrolífera, considerando impactos ambientais, sociais, econômicos e estruturais provocados pela exploração de petróleo e gás natural.

A magistrada destacou ainda que os royalties possuem caráter compensatório e não podem ser tratados apenas como mecanismo de repartição igualitária de receitas entre todos os estados brasileiros. Segundo o voto apresentado no plenário do STF, mudanças profundas no modelo atual exigiriam alteração constitucional, e não apenas aprovação de lei ordinária pelo Congresso Nacional.

A posição de Cármen Lúcia foi recebida com atenção especial pelo governo do Rio de Janeiro, que teme perdas bilionárias caso o Supremo valide integralmente a redistribuição prevista na legislação questionada. Municípios produtores do Norte Fluminense, como Macaé, Campos dos Goytacazes e Rio das Ostras, acompanham o julgamento com preocupação devido à forte dependência econômica dos royalties.

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Estimativas apontam que o Estado do Rio de Janeiro poderia perder bilhões de reais em arrecadação caso a nova divisão seja confirmada. Prefeituras da região também alertam para possíveis impactos em áreas como saúde, educação, mobilidade urbana, infraestrutura e geração de empregos.

O julgamento, no entanto, foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino, que solicitou mais tempo para analisar o processo. Ainda não há data definida para a retomada da votação no plenário da Corte.

A discussão envolve ações diretas de inconstitucionalidade protocoladas por estados produtores após a aprovação da Lei dos Royalties, sancionada em 2012. Desde então, o tema se tornou uma das disputas federativas mais relevantes do país, envolvendo bilhões de reais em receitas públicas.

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Especialistas avaliam que a decisão final do STF poderá redefinir o futuro financeiro de estados e municípios ligados à cadeia do petróleo, especialmente no Rio de Janeiro, onde a arrecadação dos royalties representa parte significativa do orçamento público.