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Rio das Ostras chama atenção para a relação entre Racismo e Saúde Mental

Pelo Dia de Luta contra Discriminação Racial, Município mobiliza população a refletir sobre o racismo como violência com impactos no corpo e mente

Atualizado em 16/03/2026 às 16:03, por Ricardo Marcogé.

Município promove reflexões sobre o racismo como forma de violência e seus impactos emocionais. Foto: Divulgação.

No próximo dia 21 de março, celebra-se o Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial. A Secretaria de Saúde de Rio das Ostras vai marcar a data mobilizando a população a refletir sobre o racismo como uma violência que afeta a Saúde Mental.

Como iniciativa do Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, ligado à Subsecretaria de Atenção Especializada, serão realizadas atividades voltadas para essa temática nas unidades de Saúde.

O objetivo é orientar a população sobre o que é discriminação racial, como ela se dá no dia a dia – muitas vezes sob forma de micro-agressões, como gestos e “brincadeiras” – e os impactos reais na Saúde Mental de quem sofre com o racismo.

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É importante também entender o conceito de Racismo Estrutural: a forma como a sociedade foi construída, criando desigualdades no acesso a educação, trabalho e saúde.

O racismo é uma violência e produz impactos diretos na Saúde Mental. A dor do racismo não é ‘mimimi’; é um trauma que afeta o corpo e a mente”, explica o coordenador do Departamento de Saúde Mental, Alessandro Barbosa.

IMPACTOS - Entre os impactos diretos em quem sofre com comportamentos racistas estão o estresse crônico: o estado de "alerta constante" causa desgaste físico e mental; traumas psicológicos, como ansiedade, depressão, Síndrome do Pânico e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT); problemas de identidade e autoestima, a partir da internalização de mensagens negativas, gerando sentimentos de inferioridade.

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Os especialistas também identificam como consequências emocionais a queda no rendimento escolar e profissional, isolamento social e, em casos extremos, ideação suicida.

Para a população negra, a Saúde Mental é inseparável da luta pela vida. O medo é real e constante, alimentado pelo dado alarmante de que 77% das vítimas de homicídio no Brasil são negras. Esse estado de alerta permanente adoece e desgasta o emocional.

ACOLHIMENTO E ORIENTAÇÃO – Como parte das ações, a Prefeitura busca sensibilizar os profissionais de saúde e toda a comunidade a acolher e orientar quem sofre as consequências do racismo.

“Se você se deparar com alguém em sofrimento mental em decorrência de discriminação racial, acolha e oriente. Escute sem julgar, valide a experiência do outro e não minimize a dor. Reconhecer que esse sofrimento não é fraqueza, mas fruto de uma estrutura injusta, é o primeiro passo para buscar cuidado e fortalecer a resistência”, completa Alessandro Barbosa.

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Na Rede Municipal de Saúde de Rio das Ostras é possível buscar ajuda no CAPS - Centro de Atenção Psicossocial e nas unidades de saúde.

DISCRIMINAÇÃO RACIAL – A discriminação racial é qualquer distinção, exclusão ou restrição baseada em raça, cor ou origem, que anula o reconhecimento dos direitos humanos.

No Brasil, a discriminação racial é crime inafiançável e imprescritível, punido com reclusão e multa conforme a Lei nº 7.716/1989. Desde 2023, a injúria racial (ofensa à dignidade baseada em raça/cor) foi equiparada ao racismo, tornando-se também inafiançável e imprescritível.

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