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Renovação da concessão da Enel por mais 30 anos gera críticas e revolta de consumidores no Brasil

Mesmo diante de apagões, milhares de reclamações e questionamentos do Ministério Público Federal, governo federal segue avaliando a prorrogação das concessões da Enel nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará.

Atualizado em 09/03/2026 às 12:03, por Ricardo Marcogé.

Renovação da concessão da Enel por mais 30 anos gera críticas e revolta de consumidores - Foto: Divulgação

A possível renovação antecipada das concessões da empresa italiana Enel para a distribuição de energia elétrica no Brasil tem provocado críticas crescentes de consumidores, autoridades e órgãos de fiscalização. Apesar do histórico recente de apagões, falhas no atendimento e milhares de reclamações registradas em órgãos de defesa do consumidor, o governo federal avalia estender por mais 30 anos os contratos da concessionária em estados estratégicos do país.

A medida está prevista no Decreto Federal nº 12.068/2024, que permite a renovação antecipada das concessões de distribuição de energia mediante novos compromissos de investimento por parte das empresas concessionárias. Com base nessa norma, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) analisou os pedidos apresentados pela empresa.

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Em parecer técnico preliminar, áreas da agência chegaram a recomendar a renovação da concessão da Enel em estados como Rio de Janeiro e São Paulo. No entanto, a recomendação provocou forte reação política e institucional, sobretudo diante da insatisfação generalizada de consumidores com a qualidade do serviço prestado.

Histórico de falhas e prejuízos à população

Nos últimos anos, moradores de diversas cidades atendidas pela concessionária enfrentaram sucessivos episódios de falta de energia, demora na recomposição do serviço e dificuldades no atendimento ao consumidor.Em muitos casos, bairros inteiros ficaram horas ou até dias sem fornecimento de energia, provocando prejuízos diretos para famílias e comerciantes. Alimentos perdidos, equipamentos danificados e atividades econômicas interrompidas se tornaram relatos frequentes entre consumidores.
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Esse cenário também se reflete nos registros oficiais de reclamações. Órgãos como o Procon e a plataforma Consumidor.gov.br acumulam milhares de queixas relacionadas à concessionária, envolvendo interrupções constantes no fornecimento, demora na solução de falhas e dificuldades de contato com a empresa.

Questionamentos do Ministério Público

A condução do processo de renovação também passou a ser questionada judicialmente. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a solicitar a suspensão das recomendações técnicas de renovação em alguns casos, alegando a necessidade de uma análise mais rigorosa sobre a qualidade real do serviço prestado.

Entre os pontos levantados estão possíveis inconsistências nos indicadores utilizados para avaliar o desempenho da concessionária, além de questionamentos sobre a adequação da renovação diante das reiteradas reclamações registradas pela população.
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Situação crítica em Rio das Ostras

Em Rio das Ostras, moradores e empresários relatam prejuízos recorrentes causados pelas constantes falhas no fornecimento de energia elétrica.

No fim do ano passado, durante o período de alta temporada, diversas ruas da cidade ficaram horas sem energia, provocando perdas significativas para o comércio local. Restaurantes, mercados e outros estabelecimentos relataram alimentos perdidos, equipamentos danificados e queda no movimento.

Comerciantes afirmam que alguns negócios chegaram a encerrar atividades diante dos prejuízos acumulados. Trabalhadores também teriam sido afetados, com redução de jornada e até perda de empregos em decorrência das dificuldades enfrentadas pelos estabelecimentos.

Os problemas não se limitaram ao período de festas. Nos meses de janeiro e fevereiro, ainda em plena temporada turística, moradores continuaram registrando interrupções frequentes no fornecimento de energia.

Já no início de março, quando a cidade entra em um período tradicionalmente mais tranquilo, a situação permanece semelhante. Segundo relatos de moradores, basta uma chuva moderada ou ventos mais fortes para que diversos bairros fiquem novamente sem energia elétrica.
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Debate que envolve interesse público

Para especialistas do setor elétrico, a discussão sobre a renovação das concessões da Enel ultrapassa o campo técnico e regulatório. Trata-se de um debate diretamente ligado ao interesse público e à responsabilidade do Estado na fiscalização de serviços essenciais.

Energia elétrica é um serviço indispensável para residências, hospitais, escolas, comércio e indústria. Por isso, a sociedade espera que a renovação de contratos dessa magnitude esteja condicionada a níveis elevados de eficiência, qualidade e transparência.

Diante do histórico recente de falhas no fornecimento e das críticas recorrentes de consumidores, cresce o questionamento sobre a viabilidade de conceder à empresa mais três décadas de operação sem que haja mudanças estruturais significativas na prestação do serviço.
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Enquanto o processo segue em análise, aumenta a pressão de consumidores, representantes políticos e órgãos de controle para que a decisão final leve em consideração não apenas relatórios técnicos, mas também a realidade vivida por milhões de brasileiros que dependem diariamente do fornecimento de energia elétrica.

Para muitos moradores, a pergunta que permanece é direta: se o serviço já enfrenta tantas críticas hoje, quais garantias existem de que a situação será diferente pelos próximos 30 anos?

Reportagem: Ricardo Marcogé - Analista de Comunicação Social e Advogado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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