Quando a primavera de 2026 chegou à Região dos Lagos, às 21h05 desta terça-feira (22), o céu estava encoberto e a chuva aumentava. O cenário, segundo a previsão dos Institutos Nacionais de Pesquisas Espaciais (Inpe) e de Meteorologia (Inmet), anunciou a principal previsão para a estação: instabilidades e precipitação acima da média do período. O período também deve ser marcado pelo aumento do calor.
Tradicionalmente, a primavera é uma estação marcada pela transição de um período mais seco (inverno) para um período mais chuvoso (verão). No entanto, segundo o pesquisador do Inpe, Diogo Arsego, neste ano, o tempo da região será marcado por ocorrências normalmente vistas só no fim da estação.
“Para a região do Rio de Janeiro, especialmente a Região dos Lagos, há uma maior probabilidade de que as precipitações fiquem acima da média do período. Essa chuva é aquela de final de tarde e noite – a chamada chuva convectiva, ou de verão. E, por chegar após o aquecimento diurno e garantir uma disponibilidade de umidade, ela vai vir, também, acompanhada de temperaturas acima da média”, destacou o pesquisador em entrevista ao portal Fontecerta.com
Ainda segundo Diogo, a previsão indica que as duas primeiras semanas da estação serão marcadas por precipitações associadas a frentes frias. Na primeira quinzena de outubro, no entanto, a população da Região dos Lagos deve experimentar o tempo seco típico da primavera, antes que as chuvas voltem a aumentar na segunda quinzena do mês.
A expectativa, de acordo com a previsão, é que, a partir de novembro, a chuva fique ainda mais frequente e intensa. “Devido às características da estação, nesse período devem se formar Zonas de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Esse sistema alinha nebulosidade desde a região Norte, passando pelo Centro-Oeste e chegando ao Sudeste. Nessas regiões costuma manter alguns dias de tempo mais fechado, com chuvas mais constantes e volumes bem elevados.”
Ocorrências estão associadas ao El Niño
Na entrevista, Diogo destacou que o El Niño é uma realidade para a região e contou como ele deve influenciar o tempo no estado do Rio: “Na faixa entre o Centro-Oeste e o Sudeste, o El Niño tem como resposta a elevação das temperaturas, por isso, em anos de El Niño, temos temperaturas mais elevadas”, explicou.
A ocorrência, associada ao alto nível de umidade previsto, é o que traz abafamento e chuvas para a estação. “A temperatura mais elevada também contribui para que as precipitações sejam mais intensas”, garantiu Diogo.
As ocorrências previstas devem fazer, ainda, com que problemas associados à chuva, como deslizamentos e alagamentos, sejam causados no estado do Rio. Segundo o pesquisador, a recomendação é que a população acompanhe as previsões semanais do Inmet, assim como as orientações das defesas civis.
“No mais curto prazo, temos dois órgãos federais: o INMET, que emite avisos de chuvas intensas e tempestades, e o CEMADEN, responsável pelos alertas de risco de deslizamentos e inundações. A recomendação é acompanhar essas escalas para identificar os dias mais favoráveis e os respectivos riscos”, finalizou a entrevista.





