Cabana do Pescador pode virar Centro de Memória da pesca artesanal em Cabo Frio
Projeto propõe restaurar a histórica Cabana do Pescador, entre as praias do Peró e das Conchas, e transformá-la em Centro de Memória da pesca artesanal, com foco cultural, turístico e ambiental.
A histórica Cabana do Pescador, em Cabo Frio, poderá ganhar uma nova função: ser um Centro de Memória dedicado à cultura da pesca artesanal e ao turismo sustentável - Foto: Sueli Palhares
A histórica Cabana do Pescador, construída na década de 1940 entre as praias do Peró e das Conchas, em Cabo Frio, poderá ser revitalizada e transformada em um Centro de Memória dedicado à cultura da pesca artesanal e em ponto de apoio às atividades turísticas da região.
A proposta será analisada em audiência nesta quinta-feira, às 15h, na 1ª Vara Federal de São Pedro da Aldeia.
Projeto já tem parecer favorável
Assinado pela arquiteta Paula Barreto, da Coordenadoria de Urbanismo da Prefeitura, o projeto recebeu parecer favorável do Ministério Público Federal (MPF), da Secretaria Municipal de Turismo e de entidades representativas da comunidade do Peró.
Cenário de diversas produções audiovisuais, a Cabana do Pescador ganhou projeção nacional ao servir como a “casa do Tufão”, personagem interpretado por Murilo Benício na novela Avenida Brasil, da TV Globo.
A nova versão substitui um projeto anterior vetado pelo MPF. A audiência contará com representantes do órgão federal, da Prefeitura de Cabo Frio, dos herdeiros de Jamil dos Anjos — último morador do imóvel, falecido em agosto de 2014, aos 73 anos — além de integrantes dos Amigos do Peró e da Associação Comercial e Turística do Peró (Acetur), que também aprovaram a proposta. O município apresentará proposta de indenização aos três herdeiros.
Valorização da cultura marítima
Segundo a arquiteta Paula Barreto, o objetivo é consolidar o espaço como referência cultural:
“Quando concretizado, o espaço será uma referência na valorização da cultura marítima em Cabo Frio, fortalecendo a conexão entre a cidade e suas raízes pesqueiras. A Cabana do Pescador garantirá que essa tradição continue viva, inspirando novas gerações a reconhecer seu valor para a identidade local.”
Localizada dentro do Parque Estadual da Costa do Sol (PECS), unidade de proteção integral, a Cabana não poderá abrigar atividades comerciais como restaurante ou lanchonete com instalação de banheiros.
Laudo técnico assinado pelo gestor ambiental Glauco Castro da Silva aponta que o local não comporta descarte de efluentes e águas servidas — fator que motivou o veto ao projeto anterior.
Espaço cultural, ambiental e turístico
A nova proposta prevê um espaço voltado à valorização da pesca artesanal e da cultura marítima do município.
“Mais do que um local de exposição, a cabana se consolidará como um centro de memória e identidade cultural, um ambiente vivo de encontros, troca de saberes e fortalecimento do vínculo entre a cidade e a tradição pesqueira”, destacou a arquiteta.
Para Marta Rocha, do grupo Amigos do Peró, o impacto será regional:
“A proposta é muito boa! Será um ponto turístico extremamente importante, não só para o Peró, como para toda região, fomentando o turismo histórico, cultural, natureza e geoturismo.”
O secretário de Turismo de Cabo Frio, Davi Barcelos, também aprovou a iniciativa e ressaltou que o projeto tem como objetivo preservar e divulgar a história da pesca artesanal — um dos pilares do patrimônio imaterial do município.
“Peró e Conchas irão viver um novo momento com a Cabana restaurada.”
O que prevê o projeto
O plano apresentado inclui:
Manutenção da volumetria original, sem intervenções na fachada, respeitando o tombamento municipal e estadual;
Exposição do acervo pessoal de Jamil dos Anjos, incluindo canoa, artigos de pesca, fotografias e objetos pessoais;
Réplicas em miniaturas de traineiras e barcos pesqueiros típicos da região, incluindo o barco de Jamil;
Apresentação das estruturas rochosas e areias do Geoparque, com experiência sensorial voltada a deficientes visuais;
Sala de exposições itinerantes, para vernisages e mostras culturais;
Sala audiovisual, com exibição de curta-metragem sobre a biografia de Jamil e a história da Cabana;
Espaço “Meio Ambiente e Turismo”, funcionando como apoio à trilha do Morro do Vigia, com Central de Atendimento ao Turista e capacitações;
Área de PRAD (Plano de Recuperação de Área Degradada) como contrapartida ambiental;
Manutenção do deck externo, para eventos como casamentos, roda de capoeira, luais, chorinho, feiras de artesanato e oficinas;
Criação do “Bloco do Jamil”, a integrar o calendário oficial de blocos de Carnaval, com realização na área externa da Cabana.
Caso aprovado, o projeto promete transformar o imóvel histórico em um novo polo cultural e turístico do Peró, reforçando a identidade pesqueira de Cabo Frio e ampliando o potencial histórico e ambiental da região.
















